Pouco tempo antes do 25 de Abril de 1974 os trabalhadores do BPA tinham apresentado à Administração um Caderno Reivindicativo em volta do qual havia numa grande união e disposição para lutar e que contemplava, entre outras, coisas como um subsídio de almoço igual para todos ou um subsídio de Natal sem restrições nem cortes. A luta era liderada por uma suposta "frente anti-fascista" que congregava a maioria dos trabalhadores, mas que, sem dúvida, sobrevivia à custa da experiência dos que tinham o apoio de uma organização, embora na clandestinidade. No caso vertente, o MRPP e PCP, e que logo no dia 26 de Abril de 1974 se mostraram. Para os trabalhadores o 25 de Abril de 1974 tinham sido um estímulo e a convicção de que essa luta seria vitoriosa. Mas isso não pensavam os comunistas que tentaram abortar a reivindicação e hostilizaram todos os que queriam seguir em frente, apelidando-os de agentes do capitalismo, de estarem a fazer o jogo da reacção, de fascistas e reaccionários. Eu recebi muitos desses "elogios".
A luta pelo caderno reivindicativo continuou sempre com mais força, com maiores adesões e também com grandes tentativas de boicote por parte da direcção Sindicato dos Bancários, maioritariamente afecta ao PCP, cujos representantes sempre estiveram em minoria dentro do BPA. Realizaram-se regularmente grandes plenários de trabalhadores dentro das instalações do banco, plenários esses que muitas vezes se arrastaram pela noite/madrugada dentro. Lembro-me de, numa dessas reuniões, a tentativa de boicote ter chegado ao ponto de os dirigentes do Sindicato dos Bancários terem recorrido à Intersindical a fim de conseguirem infiltrar, já noite, no plenário de trabalhadores que decorria dentro das instalações do banco na Rua do Ouro um seu destacado membro, que mais tarde haveria de chegar a secretário-geral da Intersindical e do PCP, Carlos Carvalhas. Obviamente foi uma tentativa infrutífera, imediatamente denunciada pelos colegas que trabalhavam na portaria, que impediram a entrada de estranhos nas instalações do banco.
A nível mais geral da banca lutava-se pela aprovação de uns estatutos democráticos do Sindicato dos Bancários e pela eleição de uma nova direcção. Depois de muitas lutas, muitas reuniões, bastantes ameaças e intimidação, em 30 de Junho de 1975 foram aprovados os novos estatutos do Sindicato numa Assembleia Geral histórica realizada no Pavilhão da Luz (cercado por elementos do Sindicato dos Metalúrgicos que, a mando do PCP e da Intersindical, ameaçaram e agrediram) e posteriormente foram eleitos novos corpos gerentes numa lista composta por elementos do MRPP, do PS e independentes. Foi um facto muito importante no movimento sindical, percursor do aniquilamento do controlo do PCP e da Intersindical nos sindicatos. Pode dizer-se que foi o início da era do sindicalismo democrático. Em diversos bancos foram eleitas democraticamente Comissões de Trabalhadores e Comissões Sindicais compostas por elementos do MRPP e do PS. O BPA foi pioneiro, tendo sido eleita em Junho de 1975 uma Comissão de Trabalhadores (zona sul) composta por 4 elementos do MRPP, 7 do PS e 1 independente (que mais tarde se descobriu ser um infiltrado do PCP). Nesses tempos o poder das Comissões de Trabalhadores era grande a todos os níveis, desde o controlo do crédito e das decisões relativas ao pessoal, até às lutas pela readmissão de pessoas injustiçadas no passado e aos famosos processos de saneamento. A aliança MRPP/PS (à qual o PCP chamava "santa aliança") teve um papel preponderante nos anos 1974/75/76, tendo começado a desfazer-se em 1977. O PS ganhou as eleições e o fascínio do poder político fez-se exercer a todos os níveis. Não foram muitos os que resistiram. A propósito do papel inequivocamente vanguardista dos bancários, antes e depois do 25 de Abril, não posso deixar de referir uma frase dita por Arnaldo Matos numa Sessão de Esclarecimento para bancários realizada no Clube Rio de Janeiro no Bairro Alto. “Ainda a classe operária não sonha que vai lutar, já os bancários estão na rua”.
Outros tempos...
A luta pelo caderno reivindicativo continuou sempre com mais força, com maiores adesões e também com grandes tentativas de boicote por parte da direcção Sindicato dos Bancários, maioritariamente afecta ao PCP, cujos representantes sempre estiveram em minoria dentro do BPA. Realizaram-se regularmente grandes plenários de trabalhadores dentro das instalações do banco, plenários esses que muitas vezes se arrastaram pela noite/madrugada dentro. Lembro-me de, numa dessas reuniões, a tentativa de boicote ter chegado ao ponto de os dirigentes do Sindicato dos Bancários terem recorrido à Intersindical a fim de conseguirem infiltrar, já noite, no plenário de trabalhadores que decorria dentro das instalações do banco na Rua do Ouro um seu destacado membro, que mais tarde haveria de chegar a secretário-geral da Intersindical e do PCP, Carlos Carvalhas. Obviamente foi uma tentativa infrutífera, imediatamente denunciada pelos colegas que trabalhavam na portaria, que impediram a entrada de estranhos nas instalações do banco.
A nível mais geral da banca lutava-se pela aprovação de uns estatutos democráticos do Sindicato dos Bancários e pela eleição de uma nova direcção. Depois de muitas lutas, muitas reuniões, bastantes ameaças e intimidação, em 30 de Junho de 1975 foram aprovados os novos estatutos do Sindicato numa Assembleia Geral histórica realizada no Pavilhão da Luz (cercado por elementos do Sindicato dos Metalúrgicos que, a mando do PCP e da Intersindical, ameaçaram e agrediram) e posteriormente foram eleitos novos corpos gerentes numa lista composta por elementos do MRPP, do PS e independentes. Foi um facto muito importante no movimento sindical, percursor do aniquilamento do controlo do PCP e da Intersindical nos sindicatos. Pode dizer-se que foi o início da era do sindicalismo democrático. Em diversos bancos foram eleitas democraticamente Comissões de Trabalhadores e Comissões Sindicais compostas por elementos do MRPP e do PS. O BPA foi pioneiro, tendo sido eleita em Junho de 1975 uma Comissão de Trabalhadores (zona sul) composta por 4 elementos do MRPP, 7 do PS e 1 independente (que mais tarde se descobriu ser um infiltrado do PCP). Nesses tempos o poder das Comissões de Trabalhadores era grande a todos os níveis, desde o controlo do crédito e das decisões relativas ao pessoal, até às lutas pela readmissão de pessoas injustiçadas no passado e aos famosos processos de saneamento. A aliança MRPP/PS (à qual o PCP chamava "santa aliança") teve um papel preponderante nos anos 1974/75/76, tendo começado a desfazer-se em 1977. O PS ganhou as eleições e o fascínio do poder político fez-se exercer a todos os níveis. Não foram muitos os que resistiram. A propósito do papel inequivocamente vanguardista dos bancários, antes e depois do 25 de Abril, não posso deixar de referir uma frase dita por Arnaldo Matos numa Sessão de Esclarecimento para bancários realizada no Clube Rio de Janeiro no Bairro Alto. “Ainda a classe operária não sonha que vai lutar, já os bancários estão na rua”.
Outros tempos...
