Antes do 25 de Abril tudo era diferente. De um lado estavam os trabalhadores a lutar por aquilo que achavam justo, com os seus líderes, activistas, delegados e dirigentes sindicais sem rótulos partidários, e do outro o poder reaccionário e fascista que reprimia. Mas, a seguir ao dia 25 de Abril de 1974 - não ao 25 de Abril acontecimento, mas sim ao 25 de Abril data – para alguns tudo aquilo que era justo passou a ser injusto. No dia 26 alguns desses activistas que dinamizavam e dirigiam a luta dos trabalhadores deram-se a conhecer como gente do PCP e, pura e simplesmente, passaram a travar a luta e a hostilizar os trabalhadores a quem o 25 de Abril tinha dado mais forças para seguir em frente. A muitos dos que até ao dia 24 de Abril de 1974 eram considerados como antifascistas eles passaram chamar reaccionários. Aquilo que se defendia deixou de se poder defender porque punha em causa uma série de hipotéticas conquistas revolucionárias, havia que trabalhar mais e melhor “para a nação”. Eu que era uma pessoa “amiga” e “antifascista”, passei a ser considerada uma conservadora, uma reaccionária, uma fascista. Foi um corte de relações abrupto, efectivo e violento. Pessoas com quem tinha relações de camaradagem e amizade não se limitaram a deixar de falar comigo, mas também passaram a hostilizar-me activamente.
Foi então que as águas se dividiram e que comecei a perceber que havia quem não tinha mudado, quem no dia 26 continuava a defender as mesmas coisas que defendia no dia 24, coisas que eu considerava justas. Nesses dias que se seguiram ao dia 25 de Abril de 1974 comecei a ver que as únicas pessoas que defendiam aquilo que eu achava correcto e que sabiam como lutar por isso eram do MRPP, isto quer a nível do banco, quer a nível do Sindicato dos Bancários. Os meus horizontes pouco se tinham alargado ainda para fora do âmbito estritamente laboral. Apenas não compreendia a razão de os presos políticos não terem sido libertados logo no mesmo dia. Só o foram 3 ou 4 dias depois. Contudo, no “célebre primeiro 1º de Maio de liberdade” eu já tinha perdido as ilusões e não fui àquela famosa manifestação a que todos chamam de unidade.
Os simpatizantes e militantes do PCP, que antes actuavam sob a capa do antifascismo, deram-se a conhecer da pior forma, a da oposição e boicote a tudo quanto era reivindicação dos trabalhadores. Deram-se a conhecer também outros que, apesar de incluídos nesse grande saco do antifascismo pré-25 de Abril, mantiveram as suas posições em defesa das reivindicações e lutas dos trabalhadores. Eram sobretudo os do MRPP saindo da clandestinidade a que o regime obrigava. No BPA havia alguns militantes do MRPP nestas circunstâncias. Havia também quem pertencesse a outros pequenos partidos e que pendia ora para um lado ora para outro. Nesses primórdios do pós 25 de Abril do PS pouco ou nada havia e do PPD mesmo nada. Claro que pouco tempo depois e muito rapidamente o PS cresceu e O PPD também foi aparecendo. Isto a nível de locais de trabalho e de reivindicações laborais. Foram-se formando alianças que conseguiram esmagar, no sector bancário, todas as tentativas de implantação desta nova forma de totalitarismo que se arvorava defensor dos direitos dos trabalhadores mas que lhes cerceava a liberdade e o poder reivindicativo, o chamado social-fascismo, socialista nas palavras e fascista nos actos.
É óbvio que foi pela primeira linha de actuação que comecei a sentir-me atraída. Eu não conseguia compreender por que razão em dois dias eu tinha passado de “amiga” e “antifascista” a “reaccionária” e “fascista”. Por que razão é que aquilo que eu defendia no dia 24 de Abril, que os trabalhadores do BPA ganhavam pouco e deviam ser aumentados, que as senhas de almoço deviam ser para toda a gente, por que razão no dia 26 de Abril tudo isso passara a ser injusto? Por que razão no dia 26 de Abril, eu passei a ser considerada reaccionária por continuar a defender a mesma coisa que defendia no dia 24?
Comecei a falar e a andar com as pessoas do BPA que eram simpatizantes do MRPP, comecei a ir aos comícios, a sessões de esclarecimento e a manifestações, talvez até a fazer pequenas tarefas, até que um dia me convidaram para uma reunião.
Foi então que as águas se dividiram e que comecei a perceber que havia quem não tinha mudado, quem no dia 26 continuava a defender as mesmas coisas que defendia no dia 24, coisas que eu considerava justas. Nesses dias que se seguiram ao dia 25 de Abril de 1974 comecei a ver que as únicas pessoas que defendiam aquilo que eu achava correcto e que sabiam como lutar por isso eram do MRPP, isto quer a nível do banco, quer a nível do Sindicato dos Bancários. Os meus horizontes pouco se tinham alargado ainda para fora do âmbito estritamente laboral. Apenas não compreendia a razão de os presos políticos não terem sido libertados logo no mesmo dia. Só o foram 3 ou 4 dias depois. Contudo, no “célebre primeiro 1º de Maio de liberdade” eu já tinha perdido as ilusões e não fui àquela famosa manifestação a que todos chamam de unidade.
Os simpatizantes e militantes do PCP, que antes actuavam sob a capa do antifascismo, deram-se a conhecer da pior forma, a da oposição e boicote a tudo quanto era reivindicação dos trabalhadores. Deram-se a conhecer também outros que, apesar de incluídos nesse grande saco do antifascismo pré-25 de Abril, mantiveram as suas posições em defesa das reivindicações e lutas dos trabalhadores. Eram sobretudo os do MRPP saindo da clandestinidade a que o regime obrigava. No BPA havia alguns militantes do MRPP nestas circunstâncias. Havia também quem pertencesse a outros pequenos partidos e que pendia ora para um lado ora para outro. Nesses primórdios do pós 25 de Abril do PS pouco ou nada havia e do PPD mesmo nada. Claro que pouco tempo depois e muito rapidamente o PS cresceu e O PPD também foi aparecendo. Isto a nível de locais de trabalho e de reivindicações laborais. Foram-se formando alianças que conseguiram esmagar, no sector bancário, todas as tentativas de implantação desta nova forma de totalitarismo que se arvorava defensor dos direitos dos trabalhadores mas que lhes cerceava a liberdade e o poder reivindicativo, o chamado social-fascismo, socialista nas palavras e fascista nos actos.
É óbvio que foi pela primeira linha de actuação que comecei a sentir-me atraída. Eu não conseguia compreender por que razão em dois dias eu tinha passado de “amiga” e “antifascista” a “reaccionária” e “fascista”. Por que razão é que aquilo que eu defendia no dia 24 de Abril, que os trabalhadores do BPA ganhavam pouco e deviam ser aumentados, que as senhas de almoço deviam ser para toda a gente, por que razão no dia 26 de Abril tudo isso passara a ser injusto? Por que razão no dia 26 de Abril, eu passei a ser considerada reaccionária por continuar a defender a mesma coisa que defendia no dia 24?
Comecei a falar e a andar com as pessoas do BPA que eram simpatizantes do MRPP, comecei a ir aos comícios, a sessões de esclarecimento e a manifestações, talvez até a fazer pequenas tarefas, até que um dia me convidaram para uma reunião.
