sexta-feira, 6 de março de 2009

Organização

Nas empresas, nos sectores de actividade (banca, seguros, telecomunicações, etc.), nos bairros, freguesias ou concelhos o MRPP estava organizado em núcleos, células e comités - por ordem hierárquica. O núcleo era composto pelos simpatizantes mais activos e a célula era formada pelos militantes. O comité era a estrutura de topo sectorial, formado por militantes que representavam as diversas células que dirigia. Havia os comités de sector, os comités de concelho e os comités regionais. Havia também grandes empresas consideradas estratégicas organizadas em células autónomas (correios, telefones, transportes). O órgão máximo, do qual dependiam todos os outros, era o Comité Central. Havia organizações específicas para os estudantes, a FEML (Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas), para a Forças Armadas, a RPAC (Resistência Popular Anti-Colonial) e para certos sectores, como a Cultura e Departamento de Imprensa que dependiam directamente do Comité Central.
Tomemos o sector bancário como exemplo. Em cada banco havia um núcleo composto pelos simpatizantes e uma célula composta pelos militantes, que também participavam no núcleo. A célula era dirigida por um secretário, que também dirigia as reuniões do núcleo e, na sua ausência por um vice-secretário. Ambos eram eleitos em reunião de célula. Não havia voto secreto. Os membros da célula não eram eleitos mas sim cooptados (escolhidos) pela própria célula. Quem dirigia a actividade na banca era o comité dos bancários que era composto pelos secretários das células, por alguns vice-secretários ou por outros militantes que o justificassem. A participação no comité dos bancários era por cooptação. O secretário e o vice-secretário do comité dos bancários, também eleitos pelo próprio comité, tinham assento por inerência no comité imediatamente superior que, no caso concreto, era o comité do concelho de Lisboa.
Todos os simpatizantes que faziam parte dos núcleos (havia simpatizantes que não faziam parte do núcleo: os menos activos, menos disponíveis ou menos fiáveis) e todos os militantes tinham um pseudónimo, ninguém era conhecido pelo próprio nome, muito menos pelo apelido. O uso pseudónimo seria uma questão de segurança, pois em caso de ataque ou perseguição, os “predadores” não conseguiriam identificar as “presas”. Mas era também uma postura. Dentro da organização os homens e mulheres eram apenas os Manéis e as Marias e mais nada. Supostamente não "havia" doutores nem operários... eram todos iguais. Toda a sua carga pessoal ficava de fora, não tinha importância nem podia nunca ser invocada. No MRPP partia-se do princípio que não havia lugar para a vida pessoal de cada um. Pelo menos essa era a teoria...